Thursday, October 11, 2007

Rufus Wainwright - Want Two (2004)


Depois do introspectivo e pessoal Want One, o cant'autor americano-canadiano apresenta Want Two, descrito por ele como o "obscuro" irmão gémeo de Want One. Tido como um dos mais completos e variados da sua carreira, este belo álbum apresenta temas de pop sofisticado (The One You Love), baladas apaixonantes (Peach Trees), temas hipnotizantes (The Art Teacher), ambientes que misturam ópera com cabaret (Old Whore's Diet, tema em que Wainwright canta com o genial Antony Hegarty) ou até mesmo um tema clássico com orientação religiosa (Agnus Dei). Em suma, Wainwright reúne neste álbum um conjunto de canções muito boas, tornando - o um dos cant'autores mais talentosos e inspirados da sua geração. Definitivamente influenciado por mestres do estilo como Leonard Cohen, mas mesmo assim cria uma sonoridade que lhe é muito própria, e reconhecível, em grande parte devido ao seu timbre peculiar.

'Grade' - 7/10
Interessante a mistura de géneros, mas não é nenhuma obra-prima. Agradável para qualquer ouvinte.

Highlights: Agnus Dei, The One You Love, Old Whore's Diet

Wednesday, October 10, 2007

Radiohead - In Rainbows (2007)



Os Radiohead são, actualmente, a melhor banda do mundo. Isto é inegável. Dez anos depois do álbum que mudou a cena musical, "fazendo as pazes" entre a electrónica e a música rock numa época em que parecia (quase) impossível estas duas serem fundidas, falo de OK Computer, os mestres voltaram! No meio destes dez anos, o grupo de Oxfordshire conseguiu reinventar o seu estilo mantendo sempre uma identidade muito própria no som practicado e adoptou influências dos mais diversos campos, desde o folk até à electrónica passando pelo jazz, ou mesmo pelo neoclássico. Neste sétimo registo de originais, Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Phil Selway, Ed O'Brien e Nigel Godrich, apresentam um álbum que "reduz" os Radiohead a uma forma quase crua (apenas com o tradicional ensemble de Guitarra, Baixo, Voz, Bateria e Piano) e com pouca (muito pouca até, comparada com registos anteriores como Kid A ou Amnesiac) electrónica e alguns arranjos para orquestra. O álbum revisita um pouco de todas as sonoridades que a banda adoptou até hoje, desde o belo do rock alternativo de Bodysnatchers até ao electrónico e eléctrico (com um toque de jazz!) 15 Steps. Temas com uma interpretação apaixonadíssima, em que as emoções da banda conseguem ser sentidas à primeira audição. Apesar da revisitação de estilos, os Radiohead (mais uma vez) reinventam - se provando ser uma fonte inesgotável de criatividade. Provavelmente irá superar OK Computer, não pela inovação, mas provavelmente por não se ver uma banda lançar um álbum assim tão bom nos dias que correm! Também é de destacar a gravação e produção binaural em alguns dos temas, que fazem com que a audição em headphones seja uma óptima experiência. Agora só resta esperar pelo segundo CD incluido na discbox (dia 3 de Dezembro) e por um concerto em Portugal! Sem dúvida um álbum e viciante e o melhor de 2007. Quem sabe, pode até ser mesmo um dos melhores da década!


'Grade' - 10/10
Excelentíssimo do início ao fim. Viciante. Há quanto tempo não lançava uma banda um álbum assim?

Highlights : Todo o álbum.

Wednesday, July 11, 2007

Rui Veloso - Ar de Rock (1980)


Ar de Rock foi o grande impulsionador do chamado Boom do Rock Português. Num tempo em que nem se pensava fazer música em português, devido ao fraco cenário musical que vigorava no nosso país, recentemente revolucionado, começava - se a falar de um rapaz que "gingava pela rua ao som do Lou Reed", era ele o freak da cantareira. Nada mais nada menos que um retrato de Rui Veloso, pelo seu colaborador de longa data Carlos Tê. Bastante influenciado pelo som do blues mas também do funk e do disco, estilos ainda em voga na época, Rui Veloso gravou um excelente álbum, juntamente com o baixista Zé Nabo e o baterista Ramon Gallarza, que ainda hoje influencia músicos e bandas portuguesas. Do puro blues de Chico Fininho, até ao funk de Miúda (Fora de Mim), não esquecendo baladas, até com algumas influências psicadélicas (Bairro do Oriente) e letras que traçam um retrato daquilo que se passava em Portugal, naqueles tempos "agitados", até há espaço para um espectacular instrumental totalmente composto por harmónicas (instrumento que Veloso sempre dominou). Sem dúvida, um clássico da música Portuguesa, e em Português. Mas com grandes influências do outro lado do oceano.

'Grade' - 7/10
Sem dúvida um clássico para os Portugueses. Provavelmente não fará tanto sentido nem terá tanto interesse no mundo global da música, especialmente no tempo em que foi lançado.

Highlights : Chico Fininho, Bairro do Oriente, Rapariguinha do Shopping

Friday, July 06, 2007

TV On The Radio - Return To Cookie Mountain (2006)





A editora 4AD já nos habituou a grandes bandas. Desde Bauhaus até Pixies, passando por Dead Can Dance e outras geniais bandas, como Blonde Redhead, uma das mais famosas (actualmente) são os TV On The Radio.
Com uma sonoridade que vai desde o free-jazz até ao doo-whop, com algumas incursões avant-garde e até mesmo noise, sempre com muito soul. Batidas indie, um registo de voz bastante interessante por parte de Tunde Adebimpe (senhor que protagonizou o filme indie Jump Tomorrow, em 2001), e excelentes guitarradas e loops muitas vezes ao encargo do senhor Kyp Malone.
O álbum conta com excelentes participações de David Bowie (tendo este considerado os TVOTR uma das suas bandas preferidas dos últimos anos) no tema Province, e de Kazu Makino, vocalista de Blonde Redhead em Hours. Neste segundo álbum (depois de um EP e debut aclamados), os TVOTR apenas deixam expectativas para se tornar numa das grandes bandas da actualidade.
Excelente som nova-iorquino que compõe uma interessante "miscelânea".

'Grade' - 8/10
Muito interessante para os curiosos da música indie e fusão. Para o mainstream? Ainda não.

Highlights : Hours, Wolf Like Me

Friday, March 02, 2007

My Bloody Valentine - Loveless (1991)

Uma obra-prima.
É a forma mais justa de apelidar este álbum seminal do movimento 'shoegazer' dos 90s. Um álbum que levou uma editora à falência, 16 engenheiros e um senhor perfeccionista (Kevin Shields, o líder do grupo). Este álbum marcou toda a sonoridade fortemente influenciada pela técnica da 'wall of sound' de Phil Spector e constante overdub de guitarras com muitos reverbs e delays, o shoegaze.
O álbum está maravilhosamente produzido, não tendo nenhuma razão de queixa de qualquer um dos temas que o compõe. O experimentalismo é fantástico, tendo em que conta que, ao contrário das bandas convencionais, no caso de Loveless, a voz e a bateria apenas servem de guias para as guitarras, que se destacam constantemente. Sem dúvida um álbum fundamental dos anos 90, embora não tenha sido um grande sucesso comercial. Basicamente, os temas podem ser classificados como uma sonoridade 'dream', devido às suas melodias vagas, mas alegres. E também se podem chamar de 'noise', pelo constante overdub de guitarras, que dão uma ideia de som 'confuso'. Foi muitas vezes utilizada a voz de Bilinda Butcher (a vocalista) como sampler que dá o guia a temas como 'When You Sleep' ou 'I Only Said'. Uma obra fundamental, que deve ser ouvida por quem goste de boa música.

'Grade' - 10/10
Tem que ser ouvido. Uma obra seminal do estilo shoegaze, com belas melodias e muita guitarra com reverb e delay.

Highlights : Todo o álbum.

Tuesday, December 26, 2006

David Bowie - Let's Dance (1983)


Depois do fracasso comercial de Scary Monsters (and Super Creeps) (1980), David Bowie não poderia ter entrado na década de '80 da melhor forma.
Um virtuoso guitarrista (Stevie Ray Vaughan), um produtor famoso no mundo da música de dança (Nile Rodgers - CHIC), um 'standard' da música de discoteca dos anos '80 (Let's Dance), e dois singles famosos (Modern Love e China Girl). Neste álbum, Bowie oferece confiança em relação ao seu novo som (passagem do art/glam rock para o "tão em voga" electro-disco/pop dos 80's) e temas que não só dão vontade de dançar...mas também bastante audíveis. Embora um álbum de música de dança, é impossível ficar indiferente aos deliciosos solos do grande guitarrista de blues (ainda jovem, na altura) Stevie Ray Vaughan. A produção é também bastante boa, feita por Bowie e Nile Rodgers, guitarrista e também produtor da famosa banda da "era do disco sound" CHIC. Todos os temas são da autoria de David Bowie, excepto China Girl, que foi escrita por Iggy Pop e David Bowie para o álbum de Iggy The Idiot. Sem dúvida que é um álbum bastante apreciável, que para além dos êxitos contém alguns temas que ficam no ouvido como Cat People (Putting Out Fire) ou Shake It. Na reedição de 1995, a Virgin Records decidiu incluir o tema Under Pressure, gravado em colaboração com os Queen, em 1981. Este single, foi também bastante bem sucedido, tendo chegado a número nos tops do Reino Unido.

'Grade' - 7/10
Embora um bom disco, apenas aconselho a amantes do revivalismo, ou bom apreciadores da electrónica dos 80's. Porém, para os curiosos, é sempre interessante ouvir a fusão feita entre o blues rock e o electro-disco/pop (embora o blues não seja omnipresente, há sempre bons momentos).

Highlights : Let's Dance, China Girl

Bem Vindos!

Eu sou eu. Ouço música. Tento escrever sobre ela. Não consigo. Ouço muita música. Respiro música.

Finalmente, orgulho - me de por na rede este blog que já vem a ser "desenvolvido" (pelo menos nas minhas ideias) há já bastante tempo. Espero que os leitores gostem das reviews, e comentem também com as suas, no caso de conhecerem a obra em questão. É óbvio que além de músicas, posso também postar reviews de filmes ou livros ou qualquer outra espécie de coisa (embora venham a ser raras estas ocasiões)

Cumprimentos,

Mr. Meddows